sábado, 19 de novembro de 2011

Tratamento experimental pode beneficiar crianças com leucemia e linfoma de células B

O Hospital Infantil da Filadélfia está a recrutar crianças com cancro para um estudo clínico inovador denominado por programa CART19, que visa a activação do sistema imunológico para potenciar o combate a vários tipos de leucemias (tumores que afectam o sangue), ou linfomas (sistema linfático), avança o PIPOP – Portal de Informação Português de Oncologia Pediátrica, citando o Children's Hospital of Philadelphia.

As linhas gerais do programa CART19 visam a alteração das células T (tipo de célula do sistema imunitário) de cada criança impulsionando-as a atacar tipos específicos de cancro nas suas células-B (tipo de célula do sistema imunitário).

A nova Fase I do ensaio clínico pediátrico começa a registar um número muito pequeno de crianças com leucemia de células B e linfoma de células B que resistem ao tratamento padrão, motivo pelo qual se torna necessário recrutar novos doentes.

Ao aproveitar as próprias células do sistema imunológico da criança para combater o cancro, esta abordagem de imunoterapia tem potencial para garantir “um verdadeiro passo em frente no avanço de tratamentos para a leucemia infantil”, referem os investigadores.

Em estudos com animais, uma dose única de células T modificadas, apuradas para atacar as células de leucemia, conseguiram atingir o alvo num prazo máximo de 72 horas. O estudo CART19 actual é focado principalmente na segurança do tratamento, pelo que, segundo os investigadores, se essa abordagem se mostrar segura, ensaios futuros irão testar a sua eficácia.

Os candidatos para os novos testes são crianças que apresentem recidiva da doença ou células B de leucemia ou linfomas resistentes à quimioterapia.

http://www.pop.eu.com/news/5765/26/Tratamento-experimental-pode-beneficiar-criancas-com-leucemia-e-linfoma-de-celulas-B.html

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Plantas no combate ao câncer


Congeladas em hidrogênio líquido, células do câncer. Em laboratório, serão bombardeadas por extratos de plantas. O câncer mata mais de 100 mil brasileiros por ano. Na Amazônia, a equipe do doutor Dráuzio Varella coleta as amostras que serão testadas.

Os cientistas marcam o lugar de onde cada amostra foi recolhida, para poder voltar exatamente à mesma planta se ela mostrar atividade em laboratório. O catálogo é feito a bordo do barco-escola.

“A vantagem desse tipo de método é que você pode ter grandes surpresas. Pode se descobrir uma molécula que tenha uma ação jamais esperada”, explica Varella.

Isso aconteceu com o taxol, uma droga desenvolvida nos Estados Unidos. Teve origem na casca de uma árvore canadense, o teixo do Pacífico. Combate tumores de ovário e de mama impedindo a reprodução das células cancerígenas. A pesquisa que levou ao taxol demorou mais de 40 anos. No Brasil, o trabalho de investigar plantas para usar contra tumores é recente.

Da Floresta Amazônica para um laboratório em São Paulo. Os cientistas querem saber se plantas têm o poder de controlar os tumores do câncer. Congelados num freezer, os 1.200 extratos estão prontos para testes. Serão aplicados contra células do câncer de mama, próstata, pulmão, intestino e leucemia.

“As plantas vem produzindo antibióticos desde sempre para poder se livrar das bactérias, vem produzindo agentes anti-tumorais para impedir que tumores se formem no caule, nas folhas. Essas substâncias existem, aí depende da gente conseguir localizá-las, identificá-las rapidamente”, diz Drauzio Varella.

Ele foi um dos primeiros brasileiros a falar do combate ao câncer com o uso de plantas medicinais. Nos anos 60, o doutor Walter Accorsi já divulgava o poder da casca do ipê. Hoje, há pelo menos duas patentes nos EUA associando a árvore brasileira ao tratamento de tumores. O doutor Accorsi agora trabalha com um arbusto africano que há dois séculos foi trazido para o Brasil, o aveloz.

“Esta planta é indicada para o câncer e a leucemia. E funciona. Ela tem um látex que se cair no olho, cega. Então, se a pessoa tomar mais gotas do que o necessário, ela pode morrer. Temos que ter cuidado para usar plantas também, pois podem ser venenosas. A dose é o limite entre envenenamento e a cura”, conta o médico.

http://grep.globo.com/Globoreporter/0,19125,VGC0-2703-125-3-2676,00.html

Empresário cearense financia pesquisas para cura do câncer

Substância pode virar primeiro medicamento brasileiro para tratamento

Quando a curiosidade motiva a ciência. Esse foi o caso do empresário cearense Everardo Ferreira Telles. Observando a melhora de um parente após tomar a famosa ‘garrafada’, Telles resolveu investir em pesquisas. Encontrada com alguma facilidade no ceará, a planta avelós, uma das matérias-primas da garrafada, poderá se tornar o primeiro medicamento feito, totalmente no Brasil, para a cura do câncer. Aprovado pelo Ministério da Saúde para testes, o remédio já tem feito efeito em alguns pacientes no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. A esperança de cura poderá vir de uma planta considerada venenosa no sertão. Se a confirmação ainda não é certa, os investimentos feitos pelo empresário parecem mostrar um futuro promissor.


Discreta em meios a outras espécies, a planta, conhecida também como ‘esqueleto’, age supostamente inibindo enzimas relacionadas à multiplicação dos tumores e tem potencial antiinflamatório e analgésico. Por ter um alto teor de toxicidade, inúmeros testes fracassaram. Há cinco anos financiando os estudos, o empresário parece feliz com o avanço das pesquisas. Em primeira etapa de análise, 20 voluntários estão tomando doses do medicamento a fim de encontrar um equilíbrio entre a cura e a intoxicação.
A frente das pesquisas, o proprietário de uma empresa de consultoria farmacêutica Luiz Francisco Pianowski coordenou os estudos junto a laboratórios e uma universidade do Brasil e do exterior, além do Einstein. Segundo o farmacêutico, a identificação de uma espécie da planta com menor poder tóxico, auxiliou nos avanços dos estudos.

» A cura pelo avelós. A esperança de tratamento contagia a todos. Em Bom Jardim, Pernambuco, um grupo uniu fé e conhecimento popular para enfrentar a doença. Membros do Centro Espírita Herculano Pire se utilizam do avelós há 38 anos. Segundo o coordenador do Centro Francisco Barbosa, a planta, típica do sertão, tem efeito sobre vários tipos de câncer: próstata, uretra, bexiga, útero, intestino, esôfago, cordas vocais, leucemia, mama, pele e pulmão, entre outros. “É um poderoso analgésico, cicatrizante e anti-hemorrágico. Com o seu uso, no mínimo, ele estaciona a doença, e elimina as dores, nos casos irreversíveis. A descoberta do avelós aconteceu em 1980, em uma sessão espírita, quando o espírito de um médico que teria vivido em Portugal, no século passado, revelou os poderes terapêuticos da planta”, afirmou o coordenador. Ele disse ainda que sua avó, Dona Chiquinha, tratava o câncer com a planta. “A sabedoria popular ensinou a população a se cuidar”, ressaltou.


Distribuída após diluição, a substância retirada dos avelós é entregue aos que precisam. “Nós fazemos um concentrado, misturamos com água e damos aos nossos amigos”, disse o coordenador. Segundo Francisco Barbosa, todos os dias o Centro recebe inúmeros depoimentos de regressão ou cura da doença. Entre tantos, o de Terezinha de Jesus, moradora de Santo Ângelo (RS) mostra a esperança de cura: “Eu tomei o Avelós por dois anos. Como fui curada aí parei de tomar. Falar em “Avelós” é uma coisa que me deixa emocionada, pois ele, amparado pelas mãos de Deus e Jesus foi um dos aliados na minha cura. Em junho de 2001 foi diagnosticado câncer de mama, e eu comecei a tomar 4 dias antes de fazer a 1ª quimioterapia. Eu tinha na mama um tumor bem grande; quando fui fazer o segundo exame o médico admirou-se que 70% do tumor havia desaparecido. Eu declaro a todos que o Avelós é um santo remédio”, declarou.

http://www.oestadoce.com.br/?acao=noticias&subacao=ler_noticia&cadernoID=22&noticiaID=8570

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Seleção de doador de medula óssea ou sangue periférico

Bone marrow or peripheral blood donor selection

Noemi F. PereiraI; Danielli C. M. OliveiraII; Margareth TorresIII; Celso A. RodriguesIV; Iracema S. B. AlencarV; Izabella SalomãoVI; Marcos A. MauadVII; Vergílio A. R. ColturatoVIII; Luis Fernando S. BouzasIX; Maria Elisa MoraesX

IBioquímica. Chefe do Laboratório de Imunogenética do Hospital de Clínicas – Universidade Federal do Paraná – Curitiba-PR
IIMédica. Laboratório de Imunogenética do Instituto Nacional do Câncer (Inca), Rio de Janeiro-RJ
IIIMédica. Departamento de Patologia Clínica do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE), São Paulo-SP
IVMédico. Disciplina de Hematologia e Hemoterapia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e Centro de Oncologia do Hospital Sírio Libanês, São Paulo-SP
VMédica. Coordenadora do Rereme/Redome – Instituto Nacional do Câncer (Inca) – Rio de Janeiro-RJ
VIBióloga. Rereme/Redome – Instituto Nacional do Câncer (Inca) – Rio de Janeiro-RJ
VIIMédico hematologista do Hospital Amaral do Carvalho, Diretor do Hemonúcleo Regional de Jaú – Jaú-SP
VIIIUnidade de Transplante de Medula Óssea, Hemonúcleo Regional de Jaú, Hospital Amaral Carvalho – Jaú-SP
IXPediatra/hematologista. Instituto Nacional de Câncer (Inca) – Rio de Janeiro-RJ
XJRM Investigações Imunológicas – Rio de Janeiro-RJ

Correspondência


RESUMO

A compatibilidade HLA é o fator mais valorizado na escolha do doador de medula óssea voluntário, preconizando-se a realização de HLA de alta resolução nos locos HLA-A,B,C, DRB1 e DQB1. Tem sido dado preferência para o doador com consanguinidade alélica 8x8 (A,B,C, DRB1). Na presença de incompatibilidade na classe-I sugere-se a busca de doador com compatibilidade DQB1 (9x10). Já as incompatibilidades dos locos DPB1 não constituem critério de exclusão de doador, exceto quando existir presença de anticorpo contra o loco HLA-DP do doador.

Palavras-chave: HLA de alta resolução; compatibilidade do doador.


ABSTRACT

The HLA system is considered the most important factor in choosing a volunteer bone marrow donor with the recommendation of performing high resolution HLA tests for the HLA-A, B, C, DRB1 and DQB1 loci. A preference has been given for donor 8x8 (A, B, C, DRB1) allele matching. In the presence of class-I incompatibility a search for DQB1 (9x10) donor compatibility is suggested. The incompatibility of the DPB1 locus does not constitute exclusion of the donor, except when there is the presence of antibodies against the HLA-DP locus of the donor.

Key words: High resolution HLA tests; donor compatibility.


Introdução

A seleção do doador com grau adequado de compatibilidade representa uma das estratégias essenciais para o sucesso do transplante de células-tronco hematopoéticas (TCTH). Dentre os fatores genéticos que exercem maior influência no resultado desses transplantes estão os genes do sistema HLA, caracterizados por extenso polimorfismo. O reconhecimento da ação fundamental da alogenicidade das moléculas HLA na evolução pós-transplante levou a necessidade de identificação das variantes alélicas dos genes HLA, ou de seus produtos, no paciente e nos seus potenciais doadores, e esta informação tem permitido a escolha criteriosa de doadores. A importância da compatibilidade HLA no TCTH, descrita há algumas décadas, tem sido reavaliada, nos últimos anos, a partir do desenvolvimento de novas metodologias para identificação dos genes HLA clássicos de transplantação. Diversos estudos, após análise retrospectiva dos transplantes com doadores não consanguíneos considerados idênticos para os locos HLA-A, B e DRB1, revelaram incompatibilidades alélicas nestes locos bem como divergências no nível antigênico e alélico para outros locos, como o HLA-C e DQB1, que não haviam sido previamente avaliados.

A metodologia para a identificação das variantes alélicas inclui a linfocitotoxicidade dependente de complemento que permite determinar as especificidades sorológicas. Atualmente, os métodos moleculares mais utilizados são a PCR-SSP (Polymerase Chain Reaction-Sequence Specific Primers) e a PCR-SSO (Polymerase Chain Reaction-Sequence Specific Oligonucleotide), os quais permitem que a tipagem possa ser realizada em dois níveis de resolução dependendo do conjunto de primers ou de sondas utilizado, respectivamente. Na tipagem de baixa resolução, somente os dois primeiros dígitos são identificados, indicando a que grupo os alelos pertencem, grupos esses que, em geral, correspondem às especificidades sorológicas: A*03 (A3), B*07 (B7), DRB1*03 (DR3), etc. A análise de alta resolução, que utiliza um conjunto adicional de primers (SSP) ou sondas (SSO), permite a identificação dos alelos propriamente ditos: A*0302, B*0702, DRB1*0301, etc. Contudo, o método mais adequado para a tipificação de alta resolução é o sequenciamento direto do DNA ou SBT (Sequence Based Typing). O desenvolvimento da metodologia molecular de alta resolução possibilitou a identificação dos alelos e, consequentemente, desvendou incompatibilidades não reveladas pelos métodos sorológicos ou moleculares de baixa resolução.

Critérios para seleção de doador de medula óssea / sangue periférico não aparentado

1. Realizar tipagem de alta resolução para os locos HLA-A, B, C, DRB1 e DQB1 de todos os pacientes referidos para a busca de doador não aparentado e de seus potenciais doadores porque as incompatibilidades alélicas podem ser funcionalmente relevantes.

2. Selecionar preferencialmente doador com compatibilidade alélica 8/8 (HLA-A, B, C e DRB1) devido ao efeito cumulativo ou sinergismo das incompatibilidades HLA. O número total de incompatibilidades HLA é fator de risco de falha de pega do enxerto, DECHa e mortalidade tanto em pacientes com doenças neoplásicas de risco padrão quanto em pacientes com doença avançada (alto risco), embora o efeito aditivo das incompatibilidades HLA seja mais pronunciado em pacientes considerados de baixo risco. Um estudo do NMDP demonstrou uma queda de cerca de 10% na sobrevida pós-transplante a cada incompatibilidade HLA adicional. 1,2,3

3. Quando não houver doador com compatibilidade alélica 8/8 (HLA-A, B, C e DRB1) escolher preferencialmente:

• Doador com compatibilidade DQB1 (9/10) para evitar um "efeito aditivo de DQB1". Apesar dos resultados conflitantes entre os estudos que investigaram a influência de incompatibilidades DQ nos transplantes, alguns sugerem (sem significância estatística) um efeito aditivo de DQ ao avaliar o risco de mortalidade associado às incompatibilidades HLA.2,4,3

• Doador com compatibilidade DRB1 e uma incompatibilidade em um dos locos de classe I (A, B ou C). Em 1995, a incompatibilidade em DRB1 foi associada com maior risco de DECHa e de mortalidade. O estudo do International Histocompatibility Working Group em TCTH (2004) mostrou um efeito loco específico no grupo de pacientes caucasoides de baixo risco, onde uma incompatibilidade no loco C ou B aumentava o risco de mortalidade em relação aos demais locos; enquanto em pacientes japoneses um risco maior de mortalidade estava associado ao loco A. Um estudo mais recente do NMDP (caucasoides) mostrou que incompatibilidades nos locos HLA-B e C são mais bem toleradas do que em HLA-A e DRB1 (2007). Isto demonstra que estudos adicionais ainda são necessários para determinar se há e qual é o impacto diferencial de incompatibilidades nos diferentes locos HLA. Diferenças nos resultados podem ser decorrentes de: a) subgrupos amostrais (incompatibilidade em cada loco) não são de tamanho suficiente; b) as proporções de incompatibilidades permissíveis e não permissíveis podem não estar distribuídas de modo uniforme em cada subgrupo.3,5,6,7

• Doador com incompatibilidade de alelos ao invés de antígenos. As incompatibilidades de antígenos (baixa resolução), mas não de alelos (alta resolução) estão associadas com falha de pega do enxerto. Com respeito ao risco de mortalidade, as incompatibilidades alélicas e antigênicas apresentam efeitos similares, exceto para o loco HLA-C no qual a incompatibilidade alélica parece ser mais tolerada em relação à antigênica.2,3,8

• Incompatibilidades DPB1 não constituem critério de exclusão de doador, exceto quando o receptor apresentar anticorpos pré-formados contra moléculas HLA-DP expressas pelo doador. Apesar das incompatibilidades DP serem frequentes em pares de receptor/doador HLA-A, B, C, DRB1 e DQB1 idênticos, e alguns estudos sugerirem sua influência na ocorrência de DECH aguda, bem como na redução da taxa de recaída pós-transplante, a ausência de resultados consistentes em relação à sua influência na sobrevida pós-transplante indica que a compatibilidade para este loco não deve ser incluída como um critério definitivo para seleção de doador.3,9,10,11,12

• Fazer pesquisa de anticorpos anti-HLA de classes I e II no soro do receptor que encontrar somente doador com incompatibilidade HLA:

– Evitar doador incompatível em qualquer loco HLA quando o receptor apresentar anticorpos específicos para moléculas HLA expressas pelo doador.

– Quando o receptor apresentar anticorpos anti-DPB1 considerar a tipagem DPB1 do par doador/receptor.

– Se não houver outro doador disponível ou tempo para iniciar outro processo de busca, empregar medidas para a remoção dos anticorpos anti-HLA pré-formados.

Nível Evidência: IC

Força de recomendação: forte e nível de evidência fraca para a realização de tipagem HLA alta resolução locos A, B, C e DRB1. Os achados destes estudos são relevantes em demonstrar evidências indiretas de benefícios inequívocos (taxa de sobrevida, taxa de DECH, falha de pega, mortalidade) de maior compatiblidade HLA, em transplantes não relacionados.

Referências Bibliográficas

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http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-84842010000700002&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

http://www.scielo.br/pdf/rbhh/v32s1/aop22010.pdf


quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A Saúde é direito de todos e dever do Estado

A Saúde é direito de todos e dever do Estado.

(Constituição Federal – art. 196)

Antonieta Barbosa, advogada pernambucana, após 25 anos de trabalho no serviço público, aposentou-se com o objetivo de realizar o sonho de ingressar na carreira jurídica.

Um diagnóstico de câncer de mama em 1998 interrompeu esse sonho e mudou completamente os rumos da sua vida.

Foi preciso enfrentar não apenas as cirurgias e os tratamentos agressivos de químio e radioterapia mas também toda sorte de entraves burocráticos na busca pelos seus direitos.

Convivendo com outros pacientes percebeu que, no momento de maior fragilidade, as pessoas sofriam com a desinformação, a complexidade da legislação e a falta de um livro que consolidasse toda legislação e proporcionasse uma orientação clara e acessível.

Por incrível que possa parecer, portadores de câncer podem ser sumariamente despedidas do emprego, ficando sem ter como sobreviver e custear o tratamento. Benefícios previdenciários e isenções tributárias lhe são negados, os bancos lhe negam o crédito, a administração lhe nega a posse em cargos públicos os planos de saúde lhe negam cobertura aos tratamentos. Nessas condições o paciente fica órfão de cidadania, passando a viver da caridade alheia.

Ao compartilhar esses conhecimentos, percebeu que uma simples informação tinha o poder de mudar completamente a vida de um paciente. Presenciou situações absurdas como a de uma senhora que pagava as prestações de um imóvel que deveria estar quitado pela sua situação de invalidez ou de outro, que pagava imposto de renda sem saber que era isento e assim testemunhou muitos outros absurdos.

Constatando essa situação de abandono sócio-institucional e movida pelo sentimento de solidariedade resolveu escrever “CÂNCER – DIREITO E CIDADANIA”, cuja 1ª edição foi custeada pela própria autora que precisou vender seu próprio carro, pois não encontrou na época uma editora que acreditasse no projeto.

O livro, considerado um “garimpo jurídico”, hoje na 12ª edição, é um manual completo sobre o tema. Além de abordar toda a problemática do paciente de câncer, aponta caminhos e oferece dicas para que, da maneira menos desgastante possível, ele possa identificar, reivindicar e fazer valer os seus direitos, resgatando assim sua cidadania e sua dignidade.

http://antonietabarbosa.adv.br/component/content/article/12-cancer-direito-e-cidadania